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Acorda, capoeira!

      Saudações Santistas.

      Separar os indivíduos das suas origens e descaracterizá-los, fazendo-os negar ou, se possível, esquecer o seu passado e as suas raízes históricas e culturais sempre foi a fórmula usada por aqueles que, ao longo da história da humanidade, quiseram subjulgar e dominar os seus semelhantes.

      A escravidão no Brasil é um vergonhoso exemplo disso.

      O que me entristece é constatar que esse sistema de dominação desgraçado continua cooptando a quem possa tragar, só que agora, com uma forma de sedução tão sutil que acaba transformando o capoeirista – ainda que ele próprio não perceba - naquele contra quem ele sempre lutou, a saber: o colonizador opressor e seus capatazes.

      A capoeira semeada em um solo fértil, que germinou e cresceu de forma natural e espontânea, superando os rigores naturais de qualquer desenvolvimento, e que, ainda assim, ganhou forma própria e deu muitos frutos, não precisa de enxertos e deve ser cuidada e preservada pelos seus verdadeiros representantes na forma como ela é. Até porque, é esse o tipo de capoeira que genuinamente corresponde e representa a história e a cultura da região onde ela se desenvolveu e deu frutos.
      Exatamente como aconteceu com a capoeira aqui em Santos.

      Nesse sentido, quando me deparo com novidades ou com métodos supostamente mais eficazes que os demais ou então com discursos maquiados com muita intelectualidade, com muitas citações acadêmicas e afins, eu normalmente desconfio, saio de lado, ponho um pé atrás e levanto minha guarda (não é à toa que a base didática da ginga é assim), pois tem sido assim que muitas vezes esse sistema de dominação vem disfarçado.

      E já que eu me referi às citações, elegi três frases que, embora não sejam acadêmicas, são geniais em minha opinião, e ilustram muito bem a minha pedagogia para com essa corja de colonizadores e feitores ainda existentes na capoeira, por acreditar que é isso que eles merecem:

      - “...pé na porta e soco na cara!” (Matanza)

      - “...ferro na boneca, pedrada na vidraça. Tudo que eu tenho eu conquistei na raça. Eu não sou simpático à ninguém. Hoje vou de limusine, mas eu já andei de trem.” (Chorão, Charlie Brown Jr)

      - “...vão pra puta que pariu, porra!” (Dercy Gonçalves)

Está dito.
Mestre Ribas
Santos, 10 de julho de 2012.



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