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AGREGAR VALOR

        Caro leitor,
        Lembre-se que este texto é destinado única e exclusivamente para formação dos meus alunos. Boa leitura.


        “Eu juro!”. Essa expressão talvez seja a forma mais antiga de agregar valor à algo. Nesse caso, representa a tentativa de atribuir mais crédito no que se diz para convencer o próximo de que o que está sendo dito é legítimo.
        Principalmente hoje em dia - em época de Facebook - tenho percebido através de fotos, vídeos, textos e afins, o que também podem ser considerados como formas usadas de tentar agregar valor só que à própria capoeira. Vou destacar três exemplos que eu considero predominantes:

        No “estilo” que se pratica.

        Se por um lado, praticar capoeira como se fosse um lutador de MMA está em alta (talvez com intuito de equipará-la às demais lutas de contato), por outro, muitos capoeiristas que nasceram na década de 80 pra cá, preferem se trajar como se vivessem na década de 20 pra lá. Tudo em nome da modernidade ou da tradição.
        Para mim, o valor de um “estilo”, está na autenticidade. Esta, por sua vez, é representada pelas principais características comportamentais, culturais e históricas que foram responsáveis pela projeção do tipo de capoeira de determinada região, escola ou grupo no cenário nacional e internacional.

        Nos batizados e afins

        Eu percebo que muitos capoeiristas querem provar o valor de um batizado divulgando a numerosa lista de capoeiristas convidados que, muitas vezes, pouco ou nada têm a ver com o trabalho de quem está realizando tal evento. Até porque tem convidado que só marca presença quando é pago para estar lá no dia.
        Para mim, o valor do que se realiza na capoeira está na pontualidade (para, pelo menos, demonstrar o mínimo de respeito, consideração e reciprocidade por quem cumpre e chega no horário previsto) e principalmente no quanto que todos os participantes correspondem, fazem parte e verdadeiramente se identificam com o que está acontecendo.

        Na tradição oral ou escrita

        Outra forma, mais sofisticada talvez, de tentar agregar valor à capoeira é a verborragia. Ainda mais quando associada à quantidade de citações de caráter acadêmico. Porém, em minha opinião, o problema é que, além de tornar cansativa a tarefa de acompanhar alguns discursos, textos ou postagens, os mesmos quase nunca são direcionados à um público acadêmico. Para mim, o valor do que se diz ou escreve na capoeira está na simplicidade, na capacidade de sintetizar a idéia que se quer passar adiante. Ou seja, a consciência do indivíduo que se quer alcançar tem que ter mais valor que o seu grau de escolaridade ou formação

        Enfim, eu já jurei muito. Porém, conquanto eu afirme que minhas convicções são as mesmas desde que me conheço por capoeirista (significando dizer que eu falo e faço e me encanto basicamente com as mesmas coisas), não é de hoje que eu busco alcançar cada vez mais, no meu falar ou fazer, um simples sim ou um simples não. Até porque, por qual razão eu tentaria agregar valor na capoeira que eu pratico se ela já possui para mim um valor imponderável? Portanto, só me rendo e dou crédito ao que é espontâneo e natural. O que passar disso pode ser de procedência duvidosa.

Está dito.
Ribas.
Santos, 15 de janeiro de 2014.



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Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista