.


Aprendizado ou concessão?

        Sempre que chega a época de exame no Grupo se tem a impressão de que o déficit apresentado por cada pretendente à nova graduação em relação ao conhecimento mínimo que se espera para tal se acentua e fica em evidência. Porém, na realidade, todos nós sabemos que tal déficit está lá do mesmo jeito que sempre esteve o ano todo e somente agora, nessa época de exame, é que o pretendente resolve dar a devida atenção para ele. Igual ao político que só demonstra preocupação com as mazelas do povo em época de eleição.
        De qualquer forma, há tempos que existem incontáveis exercícios educativos que foram desenvolvidos com o intuito de facilitar o aprendizado, fazendo o aluno entender, progredir e, por fim, se apropriar de determinado saber minimizando o problema que essa defasagem representa.
        Por outro lado, talvez por conta de uma realidade na educação do nosso país - que não ensina de fato aquilo que o aluno precisa saber, mas somente o prepara para decorar ou criar mecanismos que o faça lembrar das respostas do que pode ser perguntado para ele nos exames - os exercícios educativos que deveriam servir para “alavancar” o conhecimento passam a ser usados apenas como um macete para tomarem o lugar daquilo que, de fato, o aluno deveria saber e apresentar. Essa realidade é uma pequena parcela e representa a forma mais suave do famoso “jeitinho brasileiro”, essa cultura desgraçada que faz o indivíduo acreditar que para tudo existe um jeitinho mais fácil, que faz tudo parecer correto, um “esqueminha”, um atalho que só os espertos e bem relacionados conhecem e que burlam até os critérios mais rigorosos de avaliação.
        Esse contexto é que inspirou a pergunta que intitulou o presente texto. Ou seja, o que se quer é aprender a capoeira de fato ou apenas uma concessão para mudar de graduação? Se o que se quer é apenas uma concessão, sem problemas, é só lançar mão de materiais com as cores correspondentes à graduação que se quer, trançar e usar. Tem um monte de gente que, de uma forma ou de outra, faz isso. A única coisa que eu peço – sem esperar necessariamente ser atendido – é que, quem tiver coragem de fazer isso, tenha coragem também de assumir e usar o seu próprio nome.
        Afirmo isso sem medo porque, graças ao bom Deus, quem representa e responde pela minha capoeira e pelo meu Grupo, sou eu mesmo, pessoalmente.
        Agora aquele que quiser aprender a capoeira de fato, o caminho pode parecer árduo e difícil, mas o resultado é duradouro e compensador.
        Isso posto, espero que qualquer suposta dificuldade de assimilação ou falta de tempo para treinar deixe de ser pretexto e perca o valor e quem quer que seja deixe de acreditar no “jeitinho brasileiro” e comece a treinar e aprender capoeira no Grupo de forma decente, independentemente de graduação ou exame.

Está dito.
Mestre Ribas.
Santos, 18 de novembro de 2008.



Site criado por Nilton Ribas Martins Júnior
Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista