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Correr roda

        Outro dia desses, eu recebi uma crítica de um ex-aluno que passou a praticar outro estilo de capoeira. Ele me disse que dentre tantas falhas que a nossa capoeira apresenta, destacava o fato de nós não nos preocuparmos em “correr roda”. Eu achei graça e brinquei com ele respondendo que eu não corria roda porque não sou maratonista e em seguida expliquei minha razão.
        Comecei perguntando por onde ele corria essas rodas e ele me deu uma lista de participações principalmente nesses aulões que hoje em dia são tão comuns.
        Perguntei se ele teve acesso para conhecer pessoalmente os responsáveis por esses aulões ou se a participação dele não passou de mais um número na lista de participantes como é o caso da maioria. Dito e feito! Apenas mais um número na lista de participantes. Diante da resposta, brinquei outra vez dizendo: “- Da próxima vez, ao invés de correr roda, passa mais devagar e se puder, dá uma paradinha para conhecer o mestre ou o responsável!”.
        Eu concordo plenamente que o capoeirista que quer realmente conhecer a capoeira, não deve se limitar a ficar só na academia. Mas não acredito que quantidade tem a ver com qualidade necessariamente.
        Outra coisa importante é o capoeirista ser uma pessoa bem resolvida, ter uma boa base, ter uma identidade sólida na sua prática para que essas participações e visitas contribuam positivamente no seu desenvolvimento, onde os novos elementos que possam ser absorvidos venham para somar e não substituir, ou seja, ele não deve ter pressa para começar a fazer isso. Conhecer a história daquele mestre que está visitando, a sua trajetória na capoeira, a trajetória do mestre desse mestre também é um fator preponderante para que se entenda determinado comportamento ou determinado fundamento e dessa forma se compreenda o regionalismo que existe na capoeira. Dessa forma a pluralidade da cultura brasileira será conhecida, respeitada e valorizada e não substituída por uma produção em série, onde só o interesse de alguns é que prevalece. E mais, você deixa de ser apenas mais um número da lista de participantes e realmente amplia seus conhecimentos e área de atuação na prática da capoeira.


Está dito.
Mestre Ribas.



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Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista