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Desabafo: a Capoeira Santista nunca foi meu grupo.

       Saudações Santistas.

      Pode parecer surreal para alguns, mas o fato é que eu decidi – de uma vez por todas – desconstruir o conceito de grupo que meus alunos (do mais iniciante ao contramestre mais antigo) têm em relação a esse termo. Não que eles tenham um conceito necessariamente errado acerca da terminologia citada (até porque, não gosto muito dessa idéia dicotômica de certo e errado), mas principalmente porque a idéia que normalmente se tem não atende suficientemente aquilo que eu idealizei como grupo e que – em ato contínuo durante pelo menos duas décadas – venho trabalhando para alcançar e desenvolver.

      Afirmo isso porque durante todo esse tempo tenho percebido o mal que um conceito incompleto ou mal formulado pode causar, tanto às pessoas quanto ao andamento de tudo que está relacionado ao ajuntamento que elas possam pertencer.

      No caso de grupo de capoeira, o problema pode estar, por exemplo, quando alguém resolve apostar que suas responsabilidades e seus atos pessoais nesse ajuntamento são diluídos ou esquecidos ou não contabilizados por conta da coletividade. Igual a um soldado - usando agora um exemplo bem extremo - que comete um crime de guerra em um campo de batalha, acreditando que, além da guerra em si justificar tal ato, o espírito coletivo de uma tropa em um campo de batalha deva ser esse.

      Outra situação comum que tenho observado é que a maioria absoluta acredita que para mim o ajuntamento de pessoas na minha escola de capoeira forma meu “grupo” só porque usam o mesmo uniforme, promovem eventos juntos e cuidam administrativamente da escola tornando-a quase igual a uma empresa. E o pior é acreditar que a projeção ou expansão disso se revela na quantidade de “filiais” que eu posso ter por aí (como se eu estivesse jogando um “war” de muito mau gosto).

      A Capoeira Santista é apenas a escola de capoeira que eu idealizei com o objetivo de, através da conscientização marcial, histórica e cultural da capoeira que eu ensino, contribuir de maneira positiva com a formação do caráter e da personalidade dos meus alunos, desenvolvendo e fortalecendo a noção e os princípios de fraternidade e de cidadania. Para tanto, aqueles que quiserem seguir meus passos, independentemente de graduação, tempo de treino, títulos e afins, terão que ter a disposição mental para, diária e constantemente, fazerem uma viagem pessoal para dentro do seu próprio ser, com intuito de reconhecer e abrir mão de todo o lixo humano como vaidade, inveja, maledicência, soberba, arrogância, egoísmo, omissão e etc., em qualquer grau ou nível, que pode habitar o próprio interior e que precisa urgentemente ser jogado fora para poder se tornar uma pessoa melhor. Do contrário, para quem não tem ou não quer desenvolver tal disposição, a porta da rua é serventia da casa. Que vá fazer carreira solo. Quem topa?

Está dito.
Mestre Ribas
Santos, 17 de abril de 2010.



Site criado por Nilton Ribas Martins Júnior
Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista