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MINHA FILOSOFIA

        A capoeira é para mim a lente através da qual eu enxergo e discirno o mundo à minha volta. Nesse sentido, o meu interesse é, através da conscientização marcial, histórica e cultural da capoeira que eu ensino, contribuir de maneira positiva com a formação do caráter e da personalidade dos meus alunos, desenvolvendo e fortalecendo a noção e os princípios de fraternidade e de cidadania.
        Por essa razão, minhas ações estão sempre intimamente ligadas aos aspectos gerais dos fundamentos e das tradições da capoeira somados ao comportamento que eu adotei ou desenvolvi, tanto para estruturar meu trabalho quanto para evidenciar o que eu considero salutar no desenvolvimento integral de cada praticante e, nesse sentido, é importante eu explicar qual é o meu conceito acerca desse assunto.
        Tradição na capoeira é constituída por todos os usos e costumes que vão se consagrando com o tempo à medida que são preservados e colocados em prática pelas gerações que se sucedem na capoeira de uma determinada localidade ou escola. Seja por herança direta do próprio mestre ou ainda, pelo que se adota ou desenvolve com a própria experiência no decorrer do tempo de prática. Já o fundamento é aquilo que explica, justifica e dá autenticidade à tal tradição; ou seja, no meu ponto de vista, o primeiro é completamente dependente do segundo.
        Portanto, nada do que eu faço ou adoto na capoeira que eu pratico e ensino é só porque o mestre A, B, ou C falou. Tudo tem que ter um fundamento! Até porque, só considero como um mestre autêntico da capoeira na atualidade aquele que, além de possuir o reconhecimento da comunidade da qual faz parte e um trabalho realizado em prol da capoeira, ainda tenha sido ensinado, formado e reconhecido por um outro mestre nessa mesma situação. Ou seja, um mestre tem que ter história.
        Esse é um pequenino exemplo do caminho que eu busco trilhar para desenvolver a minha capoeira.

        Observações
        Outra coisa que muito me preocupa é a violência desenfreada, ou a "necessidade" de se praticar outras modalidades de artes marciais acreditando que, dessa forma, tornam a capoeira mais "completa" (ouvi certa vez um grande mestre, com muita inteligência, perguntar: “dá para jogar xadrez contra dama só porque o tabuleiro é o mesmo?”).
        Hoje em dia, muitos capoeiristas são incentivados a praticarem e desenvolverem uma capoeira tão competitiva e violenta, que faz com que os praticantes, para que possam prevalecer na roda de capoeira, precisem lançar mão de valores como força, peso ou compleição física avantajada e tais elementos nem sempre estão de acordo com que é original ou tradicional na história da nossa arte.
        E o pior é que para justificar tal comportamento, dizem se inspirar nos desafios que o Mestre Bimba fez em Salvador e que seus alunos repetiram aqui em São Paulo e no Rio de Janeiro, demonstrando assim, total desconhecimento da veracidade dos fatos. Por essa razão, desenvolvo meu trabalho valorizando a família, o estudo, a disciplina, as boas amizades e os bons costumes, conceitos que não anulam em nada a prática da capoeira nas diversas formas que ela é capaz de se apresentar.

        Conclusão
        Portanto, antes de simplesmente aceitar o que é dito por alguns capoeiristas que tentam se valer apenas dos seus supostos muitos anos de prática, eu questiono e ponto.
        Meu compromisso é com a minha capoeira, com meu mestre e com meus alunos. Por essa razão, conquanto eu procure desenvolver e ensinar da forma mais sadia e amigável possível, não abro mão da capoeira que eu aprendi e que foi desenvolvida aqui em Santos por uma geração da qual o meu mestre é o formado mais antigo.
        E para encerrar, aí vai uma dica:
        Eu prefiro ser cabeça de formiga, a ser rabo de elefante !

Está dito.
Mestre Ribas



Site criado por Nilton Ribas Martins Júnior
Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista