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Privilégio do aluno

        Outro dia, em um texto como este, eu protestei contra o comportamento, principalmente por parte dos graduados, em relação aos treinamentos, rodas e eventos do Grupo. Dando continuidade ao tema, gostaria de falar sobre um fator que faz toda diferença se o aluno entende-lo e colocá-lo em prática.
        O fator a que me refiro é esse: é o aluno que escolhe o professor e nunca o contrário. Ou seja, quando o aluno escolheu o professor, é porque ele acredita, mesmo que inconscientemente, que esse professor escolhido é capaz de mudá-lo. Sim, eu disse e reafirmo: mudá-lo! Essa mudança pode acontecer em vários níveis. Desde as mudanças mais simples como: eu não sei jogar capoeira e quero passar a saber (e somente isso) até as mais complexas que consiste em mudanças de comportamento e maneira de pensar e que influenciarão até mesmo no dia-a-dia de quem aprende (e que leva um tempo para acontecer, dependendo de cada um). Esse último tipo de mudança descrito (que também é de escolha de quem aprende) é aquele que realmente contribui de maneira positiva na formação da personalidade e do caráter do indivíduo. Daí a sabedoria popular na capoeira ter adotado o termo formado para aquele aluno que atendeu à todos os quesitos estabelecidos pela filosofia de trabalho do professor ou grupo e que agora se mostra pronto para aprender a formar alguém (ora, formado é “na forma de” e formar é “dar forma à” - e só se dá forma ao que se julga não ter a forma que se quer).
        Nesse contexto, é importante o aprendiz perceber que aquilo que está sendo ensinado, em primeiro lugar, já foi mais do que provado por todos esses anos em que a capoeira passou a ser ensinada didaticamente. Depois, está sendo ensinado porque o aluno se dispôs a aprender (afinal de contas, dentre tantas coisas que ele poderia escolher para fazer, escolheu a capoeira). E, por fim, está sendo ensinado para o próprio beneficio do aluno (até porque, ele está pagando para isso).
        Então não adianta o aluno achar que com ele acontece diferente isso ou aquilo porque, mesmo que ele reclame ou até desista, a capoeira continuará a mesma. Sempre.
        Quando um profissional recebe um cliente que apresenta um problema que não é sua especialidade, ou ele o encaminha para um especialista ou, ao tentar resolve-lo de forma equivocada, por não ser sua especialidade, o próprio cliente pode e deve mudar de profissional, não é verdade?
        Com a capoeira não é diferente. O aluno pode e deve mudar de professor ou grupo quando não se identifica com o que está sendo ensinado, pois embora o que se busque é ensinar a capoeira na sua totalidade, as individualidades de cada professor fazem toda diferença. Uns são mais técnicos, outros mais criativos, outros mais disciplinadores, porém todos com um único objetivo: vivenciar aquilo que escolheram que é ensinar a capoeira.
        Quanto ao mais, só o tempo de convivência pode revelar.

Está dito.
Mestre Ribas.



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Idealizador e fundador do Grupo Capoeira Santista