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Projeção

       Saudações Santistas.

      Encerrei o texto “Títulos, currículos e afins...” dando uma dica para quem se preocupa - ou acha que eu deveria me preocupar - com uma possível projeção (no sentido de visibilidade ou reconhecimento do trabalho, do nome ou do grupo) no meio capoeirístico.

      Então, dando continuidade à minha decisão de desconstruir a concepção que a maioria dos meus alunos apresenta acerca do que é - e para que serve - um grupo, vou falar um pouco da importância que eu dou para esse tema.

      Em minha opinião, quem tem que se preocupar com projeção é o “homem bala” em dia de espetáculo, já que ele é lançado por um canhão e tem que alcançar a rede de proteção que está do outro lado do picadeiro, no circo.

      Piadinhas à parte, eu quero afirmar que, no caso do trabalho que eu procuro realizar, qualquer forma de visibilidade ou reconhecimento, se acaso ocorrer, é conseqüência e não causa. Daí, alguém pode afirmar: “mas isso é o óbvio, Ribas. Eu também penso assim”. Contudo, para mim, tal afirmação por si só não quer dizer nada. O problema é alguém acreditar que está em sintonia fina comigo e com meu trabalho só porque pensa assim também e, dessa forma, passa a querer compartilhar de prerrogativas que só cabem a mim no meu grupo. Outro engano reside naquilo que a maioria considera como “o trabalho que procuro realizar”.

      Afirmo isso, porque o mais comum é acreditar que meu trabalho é representado pelo tipo de didática que eu possa ter desenvolvido nas minhas aulas, pelos fundamentos que tenha desenvolvido e/ou adotado nas rodas que realizo, pela qualidade de eventos que eu possa ter realizado ou ainda pela quantidade de viagens internacionais que tenho feito. Mas afirmo categoricamente que o meu trabalho não é representado por nada disso! Na realidade, tudo isso que foi citado só é algo que se tornou possível, aceitável, reconhecível ou desejável de se imitar (pelo menos pelos meus) graças à quantidade de vezes que eu dei a minha cara a tapa em questionamentos nos incontáveis cursos, reuniões e encontros dos quais participei, por todos os lugares que eu passei em uma época de conflitos de concepções, me confrontando com muitos mestres que queriam impor suas idéias muitas vezes por meio de bravatas. Isso sim representa, não só o meu trabalho, mas o que eu sou. E a falta de respostas apresentadas por tais mestres diante da insuportabilidade dos meus questionamentos é que sempre fortaleceram minhas convicções (e conquanto elas também tenham sido postas à prova desde sempre, ainda sobrevivem incólumes).

      Ou seja, o que agrega valor ao meu nome e ao meu trabalho emprestando-lhes uma possível e conseqüente visibilidade ou reconhecimento é o fato de eu chamar para mim a responsabilidade de ser um incansável guardião da minha escola e da minha região contra qualquer pessoa que apresente intenções de caráter duvidoso e não por querer brigar ou me chatear com um irmão meu por causa do tamanho do bife.

      Portanto, qualquer um que acredite estar em sintonia fina comigo e com o trabalho que eu realizo deve atentar com acuidade para os detalhes apresentados até aqui e me procurar para sanar possíveis dúvidas. Do contrário, nem sequer entenderá as coisas que possivelmente escreverei nos próximos textos.


Está dito.
Mestre Ribas
Santos, 05 de maio de 2010.



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