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Ser discípulo

       Saudações Santistas.

       Considerando algumas coisas que eu ouvi em forma de perguntas ou discurso durante essa semana, resolvi escrever um pouco sobre minha concepção acerca desse tema.

      Discípulo é um termo que compartilha a sua raiz etimológica com a palavra disciplina. Ou seja, ser discípulo de alguém é se submeter, de forma voluntária, a toda disciplina que esse alguém escolhido estabelece. E qual deve ser o intuito dessa submissão? Aprender para a vida. E quanto tempo leva esse aprendizado?

      A menos que o candidato ao discipulado desista, leva o tempo que esse alguém escolhido para exercer o papel de mestre viver, atuar ou decidir.

      Eu afirmo que sou discípulo do meu mestre porque esse sempre foi o meu conceito de discípulo e, enquanto ele atuou dando aula e/ou influenciou diretamente na formação de seus alunos, eu me submeti de forma voluntária a toda sua disciplina. Não significa que nunca o questionei (faço isso até hoje se eu considerar necessário). Porém, quando porventura me sentia contrariado, acatava em silêncio o tempo que fosse necessário, confiando nele e no próprio tempo para me fazerem entender determinada atitude sua. E isso acontecia sem ninguém necessariamente saber. Só se sabia aquilo que eu já havia falado para ele pessoalmente. E é assim até hoje.

      Infelizmente hoje em dia essa é uma situação muito rara. Eu conto nos dedos de uma mão aqueles em quem eu posso aplicar os meus critérios de discípulo para considerá-los como tal. O que eu vejo é uma insatisfação generalizada, uma preocupação exacerbada com graduação ou título e uma verborragia no discurso que só convence quem não me acompanha de perto ou não me conhece e nem conhece minha trajetória na capoeira.

      Quem me considera uma pessoa muito radical, saiba: o termo radical vem de raiz e isso eu tenho mesmo. Daí eu afirmar que está posto o machado na raiz da árvore. Quem quiser que entenda. Estou cansado de ouvir respostas para perguntas que não são feitas e soluções para problemas que não existem.

Está dito.
Mestre Ribas
Santos, 29 de maio de 2010.



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