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Ser discípulo lll

      Saudações Santistas.

      Nota:
      Os meus textos são apenas os registros na forma mais simples da minha concepção acerca de qualquer assunto tratado (o que deveria ser óbvio, porém, considerando algumas críticas e questionamentos, às vezes eu tenho a impressão de que acreditam que eu estou tentando estabelecer alguma lei universal na capoeira). Por essa razão, antes de ler o presente texto, sugiro que leiam Ser discípulo l e Ser discípulo ll para uma melhor compreensão deste.

      No segundo texto que produzi sobre esse tema, eu (alguns dias depois de ter escrito o primeiro, portanto com a cabeça mais arejada), tentei ampliar o que escrevi no anterior como forma de desabafo.
      Já nesse terceiro texto eu busco apresentar uma arquitetura dentro dessa idéia, alinhavando pelo menos os desdobramentos mais periféricos que minha concepção parece emular na cabeça daqueles que ainda insistem em justificar comportamentos que eu abertamente condeno na relação entre alguém que se diz discípulo e seu mestre, usando o que eu digo para, de alguma forma, tentar depor contra mim ou me pegar em contradição.
      Para tanto, vou usar como exemplo parte de uma conversa recente na qual chegaram a concluir que meu mestre me reconheceu como tal sem que eu estivesse na condição de discípulo (sugerindo, talvez, que eu estaria “reprovado” segundo os critérios do meu mestre quando recebi tal reconhecimento e, portanto, os meus próprios critérios para ser um discípulo não poderiam ser aplicados nem em mim).
      Acontece que se isso fosse verdade e meu mestre tivesse optado por assim fazê-lo, o problema teria sido totalmente dele. Depois, ele nunca disse de forma direta e explicita o quê ele esperava de alguém que se auto intitulasse discípulo dele (ele não costumava fazer esse tipo de diferenciação). Quanto ao mais, as exigências que meu mestre fazia (as quais a pessoa que conversava comigo tentava fazer referência para justificar tal conclusão), eram para serem aplicadas apenas naqueles que, da minha época, porventura pudessem querer receber o título e graduação de mestre. Ou seja, tinha a ver com critérios práticos para graduar e promover e não para uma relação existencial entre discípulo e mestre. Como eu NUNCA tive preocupação com cor de cordão nem com o respectivo título que tal cordão pudesse carregar, logo nunca considerei que tais exigências fossem para mim.
      Outra importante diferença é que, para construir a minha relação com meu mestre, também nunca precisei tomar como base a relação dele com o mestre dele. Não significa que não possa existir certa semelhança ou até coincidências. Eu particularmente não contabilizo esse tipo de coisa. Até porque, em minha opinião, ancestralidade, genuinidade, linhagem ou discipulado não tem nada a ver com tentar – a qualquer custo - construir e/ou marcar a minha trajetória na capoeira com os mesmos fatos e eventos que deram visibilidade à história conhecida do meu mestre. Para mim, esse comportamento me tornaria, no máximo, apenas um produto “genérico” dele.
      Outras questões do tipo “quem eu reconheço como meu discípulo” ou “de quem eu me considero mestre”, sinceramente, em minha opinião, isso precisaria ter sido, pelo menos, uma questão para mim na minha relação com meu mestre em algum momento da minha trajetória na capoeira, para que eu pudesse responder com o mínimo de propriedade. Contudo, eu nunca tive esse tipo de dúvida ou preocupação.
      O fato é que, em minha opinião, cada um é responsável pela sua própria trajetória. E a trajetória é determinada por escolhas que devem ser promovidas pela própria razão. A razão, por sua vez, é sempre histórica e geográfica, significando afirmar que não se pode desconsiderar a época e o local onde tal razão se estabeleceu ou se estabelece ou há de se estabelecer. É por isso que, em muitas vezes, não dá nem para comparar. Simples assim.

Está dito.
Mestre Ribas
Santos, 31 de janeiro de 2011.



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