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TOQUES DE BERIMBAU

        Costumo afirmar que o bom andamento da roda de capoeira é de responsabilidade de todos os participantes, principalmente do responsável pela roda, que deve conhecer e dominar todos os fundamentos e ainda ter pulso firme para conduzir o ânimo dos capoeiristas.
        Nas rodas que eu realizo, através do gunga, vou "ditando" o ritmo da bateria. Nesse sentido, procuro acelerar a cadência de forma harmoniosa e natural, à medida que vou “virando” o toque, não só para animar os participantes, mas também contextualizar o comportamento dos mesmos a cada momento da roda.
        Por essa razão é que os toques de berimbau que eu utilizo recebem a nomenclatura e o significado apresentados a seguir.

        São Bento*
        É um toque de cadência geralmente mais lenta em relação aos demais toques, que eu utilizo para iniciar a roda para o qual sugiro cautela e observação.
        No início de qualquer roda de capoeira, é importante sentir o "clima" do dia (principalmente quem está dirigindo a roda tem essa responsabilidade), pois nenhuma roda é igual à outra, mesmo se for sempre formada pelos mesmos integrantes (afinal de contas, o ânimo e o humor, por exemplo, nunca são os mesmos todos os dias).
        À medida que esse "clima" vai se revelando é que eu tenho a possibilidade de perceber se devo ou não "virar" o toque.

        * Segundo os antigos, os toques utilizados nas rodas de capoeira do passado eram alusivos ao São Bento, que, segundo a crença, protegia seu devoto contra picada de cobra. Isto sugeria de maneira simbólica, proteção contra as “cobras” e suas "picadas", na roda de capoeira. Então era um festival de “são bento”: pequeno, grande, amarrado, dobrado, invertido etc. Não é à toa que muitas músicas de capoeira sempre associam a cobra com o nome desse santo.
        Com o advento da Capoeira Regional de mestre Bimba, houve também a necessidade de diferenciar os nomes dos principais toques, uma vez que o próprio mestre Bimba denominou também de “São Bento” o toque que caracterizava seu estilo. Com isso, o toque que caracterizava a capoeira que se convencionou chamar de Capoeira Angola, passou a ser chamado de “São Bento de Angola” e por fim de “Toque de Angola” (é por esse motivo que até hoje muitos capoeiristas, principalmente os que não praticam a Capoeira Regional de mestre Bimba, ao se referirem ao toque da Capoeira Regional o chamem de “São Bento de Bimba” ou “São Bento Grande da Regional”, denunciando a necessidade da diferenciação).
        Daí a razão de eu não mais chamar esse o toque pelo seu "apelido" (Angola), justamente por eu não pertencer nem à Capoeira Angola e nem à Regional. .


        Para ouvir o toque, clique aqui:

        São Bento Grande
        Com tudo em harmonia com meus fundamentos e filosofia e uma vez todos já familiarizados com o "clima" da roda, uso esse toque para começar a "animar" os jogadores. É um toque para um jogo "amistoso", porém compromissado como todos os outros. Nesse toque sugiro que os capoeiristas comecem a “mostrar suas cartas” acrescentando ao jogo movimentos característicos da nossa região (como as acrobacias, por exemplo).
        Para ouvir o toque, clique aqui:

        São Bento Pequeno
        É o momento da roda em que se destacam os meus alunos mais experientes, pois, além da cadência que eu imponho através desse toque, é nele que proponho um comportamento que valorize mais a marcialidade da capoeira que eu ensino.
        Para ouvir o toque, clique aqui:

        Jogo de Dentro
        Utilizo para o encerramento da roda com o "jogo de compra" entre meus alunos. Nesse momento não é necessário cantar, para que a atenção da assistência fique ainda mais concentrada nos jogadores, além do que, deixe também em evidência, o "swing" da minha bateria.
        Para ouvir o toque, clique aqui:

        Samba de Roda
        Como o próprio nome sugere, é um convite para que todos os participantes e assistência "caiam" no samba. É usado eventualmente, após o encerramento da roda e, com certeza, é um momento muito descontraído em nossos encontros.
        Para ouvir o toque, clique aqui:

Está dito.
Mestre Ribas.
Santos, 23 de março de 2009.



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